O X Encontro de Pesquisadores do CHC Santa Casa marca uma edição especial de um evento já tradicional no calendário da Santa Casa. Nos dias 20 e 21 de outubro, pesquisadores e pesquisadoras apresentarão estudos desenvolvidos a partir do acervo do Arquivo do CHC, revelando novas perspectivas sobre saúde, escravidão, imigração, infância, gênero, alimentação, patrimônio, pandemia e memória social.
Entre os temas abordados estão os últimos africanos trazidos pelo tráfico escravista para o sul do país, os registros de evangélicos sepultados no Cemitério da Santa Casa, a mortalidade infantil, a experiência da Covid-19, as histórias de mulheres, crianças, trabalhadores e trabalhadoras, além de reflexões sobre os próprios processos de pesquisa e os silêncios dos arquivos.
🔎 Uma oportunidade para conhecer pesquisas inéditas e descobrir como os documentos preservados no CHC Santa Casa continuam produzindo novas histórias e novas interpretações sobre o passado.
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Confira a programação completa
DIA 20 DE OUTUBRO DE 2026
1. “Declaramos que somos africanos, tendo vindo para o Brasil como cativos”: Trabalho e moradia das derradeiras pessoas vitimadas pelo tráfico escravista transatlântico (Porto Alegre, RS, 1899-1916)
A pesquisa apresenta dados interessantes (origem, cor, idade, ofício, residência) sobre os últimos indivíduos sequestrados no continente africano, que foram trazidos como escravizados e escravizadas para o Brasil meridional e que faleceram em Porto Alegre, a partir dos Livros de Porta da Santa Casa de Porto Alegre (1899 a 1916).
Paulo Roberto Staudt Moreira. Doutor em História pela UFRGS, professor da UFPEL e FURG, bolsista de produtividade CNPq.
2. Germânicos e descendentes evangélicos sepultados no Cemitério da Santa Casa de Porto Alegre (1856-1882)
O trabalho apresenta a análise dos registros de sepultados constantes no livro de óbitos de “evangélicos” no cemitério da Santa Casa de Porto Alegre, no período constante no livro. Especificamente, são informadas quantas pessoas não católicas foram enterradas no período, suas idades, as procedências e as causas das mortes.
Diego de Leão Pufal. Genealogista, Analista Jurídico do TJSC e sócio correspondente do IHGRGS.
3. Existências possíveis, resistência no ordinário: senhoras e senhoritas exemplares no pós-abolição (Porto Alegre, 1920-1929)
O trabalho apresenta os nomes de todas as mulheres referidas no jornal O Exemplo, entre 1920 e 1929. A partir da organização de banco de dados e aplicação do método quantitativo, a pesquisa segue através da análise interseccional de gênero, raça e classe na perspectiva dos estudos do contexto do pós-abolição.
Bruna Escouto. Mestranda no Programa de PPG em História da UFRGS, integrante do Atlânticas – Laboratório de Estudos sobre o Pós-Abolição da UFRGS.
4. Alimentação e mortalidade infantil: um estudo a partir da causa da morte de crianças sepultadas no Cemitério da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre (1924-1928)
O estudo problematiza as relações entre alimentação, doença, morte e infância. Para tanto, analisa as causas das mortes de crianças sepultadas no Cemitério da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, articulando essas ocorrências ao cenário da higiene alimentar durante a intendência de Otávio Francisco da Rocha em Porto Alegre (1924-1928).
Priscila Ervin Saval. Bolsista de doutorado do CNPq no PPG em História da PUCRS, mestra em História (UNISINOS, 2021) e bacharela em História (PUCRS, 2017).
5. A experiência pandêmica em Porto Alegre: impactos da Covid-19 na capital
O trabalho constitui um recorte da dissertação de Mestrado “A experiência pandêmica em Porto Alegre: políticas de enfrentamento e impactos da Covid-19 na vida da capital (2020-2021)”. Tem como objetivo analisar os efeitos da chegada do novo coronavírus na cidade, examinando seus desdobramentos no âmbito do cotidiano.
Luísa Borgmann de Oliveira. Licenciada e mestra em História pela PUCRS. Atua como professora da Educação Básica na rede privada.
6. Anjos na Santa Casa de Porto Alegre: memórias para a história do tempo presente
Apresenta fragmentos de memórias da sua passagem pelo Hospital Dom Vicente Scherer em 2020. Ao longo de sua internação fez anotações de momentos que marcaram sua travessia na Instituição, transformadas em crônicas e versos, depois publicadas em obra, ofertada ao acervo do Arquivo do CHC.
Odilon Machado Ramos. Jornalista, radialista, apresentador de TV e eventos, escritor e poeta.
DIA 21 DE OUTUBRO DE 2026
1. A cozinha do Hospital da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre: espaço, contextos e sujeitos no oitocentos
A abordagem visa analisar a cozinha da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, entre os anos de 1826 e 1899. Para tanto, ampara-se nos vestígios de memória presentes no acervo do Arquivo do CHC Santa Casa, estabelecendo perspectivas alusivas à organização do espaço, de seus trabalhadores e, por fim, de suas práticas alimentares.
Amanda Mensch Eltz. Doutora em Memória Social e Patrimônio Cultural (UFPel, 2025), mestra em Museologia e Patrimônio (UFRGS, 2019) e graduada em História (PUCRS, 2009).
Priscila Ervin Saval. Bolsista de doutorado do CNPq no PPG em História da PUCRS, mestra em História (UNISINOS, 2021) e bacharela em História (PUCRS, 2017).
2. Entre pistas e silêncios nos arquivos
A investigação busca registros da Procissão do Fogaréu em Porto Alegre. Foram acessados documentos do século XIX, como cartas entre a Santa Casa e autoridades eclesiásticas da Igreja Matriz da capital. A partir desse percurso, o trabalho propõe refletir sobre o papel dos arquivos como fontes, e parte do próprio fazer da pesquisa.
Élen Waschburger. Graduada em História (FACCAT), especialista em Ensino de Geografia e História (UFRGS), mestra e doutoranda em Processos e Manifestações Culturais (FEEVALE), com bolsa PROSUC/CAPES. Atua como professora da Educação Básica na rede privada.
3. “A gente teve que aprender a trabalhar novamente”: os desafios da enfermagem em Unidades de Terapia Intensiva – Covid-19 no Sul do Brasil
Aborda sobre as alterações nas rotinas de trabalho de profissionais de Enfermagem atuantes em Unidades de Terapia Intensiva Covid-19, através de entrevistas concedidas, em 2021, ao Laboratório de História Oral do Centro Histórico-Cultural Santa Casa (CHC), no âmbito do projeto Documentando a experiência da Covid-19.
Ana Paula Korndorfer. Doutora em História (PUCRS). Atualmente, é pesquisadora em estágio de pós-doutorado na Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz (PDS-CNPq). Integra a diretoria da SBHC e do Laboratório de História Comparada do Cone Sul (IFRS/CNPq).
4. “Florescer depois do fogo: em busca da construção de contranarrativas antimanicoloniais”.
A comunicação aborda as férteis contribuições que o acervo do CHC Santa Casa trouxe à pesquisa para a construção de contranarrativas sobre a história de sujeitos compreendidos como desviantes no contexto da manicolonização, distantes de posições de julgamento e classificações, como de controle, vigilância, punição e encarceramento.
Thayna Miranda da Silva. Psicóloga e servidora pública em Gravataí, especialista em Saúde Mental Coletiva e mestranda em Psicologia Social e Institucional (PPGPSI/UFRGS). Foi promotora de Saúde da População Negra (SMS/Porto Alegre).
5. Infâncias enfermas e racializadas: perfil das crianças internadas na Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre (1878-1888)
Aborda sobre os mundos do trabalho infantil pós-abolição em Porto Alegre. A partir dos Livros de Matrícula Geral de Enfermos, faz uma relação entre idade, cor e profissão, buscando traçar um perfil da mão de obra infantil na capital.
Patrick Veiga da Silva. Licenciado em História (UFRGS) e mestrando em História (PPG-História UFRGS). Pesquisa história da infância e história social do racismo no campo do Pós-Abolição.
6. Escrever para explicar: mulheres e honra nos bilhetes deixados na Roda dos Expostos da Santa Casa de Porto Alegre no século XIX
O trabalho analisa bilhetes deixados junto às crianças na Roda dos Expostos da Santa Casa de Porto Alegre, buscando compreender representações sobre mulheres, maternidade e honra. A análise documental evidencia estratégias de escrita, preservação de vínculos e agência feminina diante de normas morais e sociais.
Gabrielli Lucas. Licenciada em História (Universidade La Salle), pós-graduada em Educação Especial e Inclusiva (Universidade La Salle), historiadora no Arquivo do CHC Santa Casa de Porto Alegre.
Jéssica Gomes Borba. Licenciada em História (FAPA), pós-graduada em Gestão Arquivística de Documentos e Informações (Unyleya) e em Metodologia do Ensino de História e Geografia (Faculdade Líbano), professora da rede privada e historiadora no Arquivo do CHC Santa Casa de Porto Alegre.